“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


domingo, 3 de abril de 2011

“Esse aluno escreve tudo, mas não lê uma palavra…” o que eu vou fazer?

“Meu aluno escreve tudo, mas não lê nada... – o que mais posso fazer?

Há um consenso entre os alfabetizadores em considerar que a alfabetização é a aquisição de habilidades cognitivas para desenvolver práticas que denotam a capacidade de uso de diferentes tipos de material escrito.
 Mas como garantir a alfabetização em leitura? Através de métodos ou estratégias diretamente relacionadas com o sistema de escrita da língua.


 Se o sistema que está sendo usado não está alcançando o objetivo da escrita e da leitura não é preciso desistir dele, mas buscar outras ferramentas em outros métodos, e fazer um misto, investigando sempre as causas.

O conceito construtivista preconiza que “é preciso levar em consideração a bagagem cultural adquirida pela criança antes de ingressar na escola; imaturidade, prontidão, habilidades motoras e perceptuais deixam de ter sentido isoladamente. Os aspectos motores, cognitivos e afetivos são importantes, na medida em que tratados no contexto da realidade socio-cultural dos alunos; nas séries iniciais, o importante é que a criança exercite a escrita a seu modo e somente numa etapa mais avançada é que se devem introduzir conhecimentos de ortografia e gramática; Os níveis diferentes em que normalmente os alunos se encontram e vão se desenvolvendo durante o processo de alfabetização, e a interação entre eles, é muito importante para o desenvolvimento do processo.”

Grande parte de alunos de escola públicos, traz de casa uma bagagem bem mais vazia do que se esperava, oriundos de famílias menos letradas, pais que nunca freqüentaram a escola ou com uma herança de defasagem educacional; a renda familiar é outro fator que determina um nível cultural pobre, da família; esses fatores contribuem, dentre outros, para um

                                                                                  
desempenho pior do aluno na escola, e as dificuldades na sua aprendizagem, vão surgir. Esse aluno, não terá sucesso somente com as práticas pedagógicas do construtivismo. Ele vai precisar de um amplo programa de leitura e escrita, integrado com outras ferramentas que pode favorecer melhores resultados.

A linguista Magda Becker Soares, analisa que “no construtivismo não se dá receita, mas sim meios para acompanhar o processo e interferir na hora adequada. Mas que para isso aconteça, o professor tem de conhecer fonologia, além da teoria da aprendizagem e questões de linguagem."

Muitos países de populações mais homogêneas e mais letradas adotam médotos mistos - deixando de adotar apenas um método de ensino e passando a empregar, simultaneamente com instrução fônica, técnicas visuais até que criança esteja apta a decodificar um texto, a leitura é sempre feita com a ajuda desse sistema, assim como leva em conta também a experiência prática da criança a partir dos 6 anos de idade, sem descartar as técnicas construtivistas. E mesmo países que tem como maior suporte o construtivismo, não descartam a fonologia como complemento.



Nos Estados Unidos, o National Institute of Child Health and Human Development (Instituto Nacional de Saúde da Infância e Desenvolvimento Humano) fez o mais completo levantamento, naquele país sobre métodos de alfabetização, o chamado National Reading Panel (Painel Nacional de Leitura) apontando sobre a eficácia de metodologias para a escrita e leitura que:
. A consciência fonológica amplia significativamente a capacidade de leitura da criança;
- O método fônico não é uma técnica completa de ensino, Mas é parte essencial num programa de alfabetização de sucesso. É preciso, porém, desenvolver a consciência fonológica, ou seja, não ficar limitado ao ensino da relação letra-som e sim aplicar os ensinamentos à compreensão de textos.
- A aplicação sistemática do método fônico produz benefícios em estudantes do jardim de infância à sexta série (acima disso ficou comprovado que a técnica pouco acrescenta aos estudantes) e para crianças em geral com dificuldades de leitura.

O estudo também verificou que o desempenho dos alunos é pior em classes que usam menos o método fônico.
- Os efeitos do método fônico são mais substanciais nas etapas iniciais (jardim de infância e primeira série) e, portanto, ele deve ser implementado nestas séries.

Conclusão, uma prática não exclui a outra. É preciso levar em conta a situação de dificuldade, o seu contexto, o que foi feito que o aluno totalmente o sucesso, e usar outras práticas mesmo que consideradas retrógadas, em considerando que os seres humanos tem suas diversidades e que a educação tem também como objetivo atender as diferenças.

 
REFERÊNCIAS
GROSSI, Esther Pilar. Didática da alfabetização. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990.
SOARES. Magda. Alfabetização e letramento. 5. ed. São Paulo: Contexto, 2008.
Fonte: http://www.webartigos.com/articles/29139/1/A-LINGUA-ESCRITA-COMO-OBJETO-DE-APRENDIZAGEM-ANALISE-DOS-PRESSUPOSTOS-CONSTRUTIVISTAS/pagina1.html#ixzz1IK0w5YcB
Fontehttp://www.webartigos.com/articles/59282/1/PROCESSO-DE-ALFABETIZACAO-Uma-Perspectiva-Construtivista/pagina1.html#ixzz1IK1tYkyq
AZENHA, Maria da Graça. Construtivismo: de Piaget a Emília Ferreiro. 7. ed. São Paulo: Ática, 1999.
.FERREIRO, Emília. Com todas as letras. Tradução de Maria Zilda de Cunha Lopes. Retradução e cotejo de textos Sandra Trabuscco Valenzuela. 4. ed. São Paulo: Cortez, 1993.
Reflexões sobre alfabetização. Tradução Horácio Gonzáles (et.al.). 24. ed. São Paulo: Cortez, 2001.
TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da língua escrita. Tradução de Diana Myriam Liechtenstein, Liana Di Marco, Mário Corso.Porto Alegre: Artmed, 1999.

2 comentários:

  1. GOSTEI DO CONTEÚDO POSTADO NESTE SITE.
    MUITO INTERESSANTE E DE FÁCIL ENTENDIMENTO POIS ESTOU INICIANDO A TRABALHAR COM ALFABETZAÇÃO E ESTOU FICANDO FASCINADA.

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  2. Carla obrigada pela visita e pelo comentário. No blog tem diversos temas sobre aprendizagem, principalmente por abordagens de alfabetização e dificuldades de aprendizagem, metodologia e experiências de sucesso. Visite também meu outro espaço:
    http://soatividadesparasaladeaula.blogspot.com
    onde você vai encontrar como estimular a aprendizagem!
    Volte sempre!
    abraços
    Julia

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