“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


sexta-feira, 13 de maio de 2011

Aluno distraído, dificuldades para entender, audição normal? Pode ser DEPAC x Dificuldades de Aprendizagem


Aluno distraído, dificuldades para entender, audição normal? Pode ser  DEPAC x Dificuldades de Aprendizagem

 Se um aluno que apresenta um dificuldades de entender, não apresenta participatividade em sala de aula, quando questionado ou chamado atenção aparenta não ter ouvido, mas apresenta um exame de audição normal, é preciso ficar  mais atento com este aluno, pois ele pode ter uma “DISFUNÇÃO DO PROCESSAMENTO AUDITVO CENTRAL – DEPAC”.

Alguns alunos  com esse comportamento, que  resultando  em dificuldades de aprendizagem, preocupam os professores. Os pais pensam ter um filho que não tem vontade de aprender, desinteressado e preguiçoso, desde que nenhum exame detectou uma falha na  audição.


O DEPAC, uma disfunção do processamento auditivo, consiste numa dificuldade em lidar com as informações que chegam pela audição. O indivíduo detecta os sons normalmente, que pode ser avaliado pela audiometria tonal liminar, no entanto, há dificuldades em atribuir significado ao conjunto de sons detectados. Essa medida das habilidades auditivas na análise e interpretação dos sons é realizada por avaliações auditivas comportamentais, e o DEPAC indica a dificuldade em analisar e/ou interpretar sons.





Como os pais e  os professores podem ajudar?



- Fale pausadamente, articulando bem;

-Fale alto, mas não grite;

-Fale uma coisa de cada vez;

-Repita uma ordem, várias vezes;

-Use frases curtas;

-Quando a criança fizer uma pergunta, sempre dê uma resposta;

Adicione informações á fala da criança, para que ela possa aprender novas palavras;

-No início diminua os barulhos da casa (desligar o rádio e televisão) ou da sala de aula (pedir silêncio), quando estiver falando com as crianças;

-Antes de começar a falar , chame a criança pelo nome, olhe ou toque a criança e garanta que ela esteja  a olhar par si;

-É importante ter um tempo para a criança, diariamente, pelo menos 15 minutos, para contar histórias, cantar músicas, descrever as atividades do dia-a-dia;

-Procure não rotular a criança de desinteressada, preguiçosa, desinteressada e tagarela,..., mas sim compreender que a criança com DEPAC cansa mais facilmente que as outras , de prestar a devida atenção, perde pistas acústicas do sinal  da fala e como isto deixa de entender o que lhe está ensinando, o mais importante: a criança que tem DEPAC não tem problema cognitivo ou emocional, para aprender, apenas perdeu a informação que foi dada via sentido de audição.







DPAC (Distúrbio do Processamento Auditivo Central
                                            X
TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM




Para conseguirmos ouvir necessitamos da integridade de todas as estruturas do no sistema auditivo. As estruturas envolvidas no processo da audição são didaticamente divididas em três grupos, o ouvido externo, ouvido médio e ouvido interno

1- O ouvido externo é composto pelo pavilhão auricular e o canal auditivo

2- O ouvido médio é formado pela membrana timpânica e, a cadeia ossicular ( martelo, bigorna e estribo)

3- O ouvido interno é composto pela cóclea e os canais semicirculares.

Como ouvimos os sons? O pavilhão auricular é responsável por captar os sons provenientes do ambiente, que são conduzidos pelo canal auditivo até chegar à membrana timpânica. O tímpano recebe então esta vibração vinda das ondas sonoras e, a transmite aos ossículos, movendo o martelo que faz vibrar a bigorna e por sua vez vibra o estribo. O estribo está anatomicamente ligado à cóclea pela janela oval (pequeno orifício), que lhe transmite o sinal elétrico. A cóclea está conectada ao nervo vestíbulo-coclear, VIII par craniano, que envia a este o impulso nervoso. O impulso nervoso é conduzido ao centro de audição do córtex cerebral, que é responsável por interpretar estes sinais nervosos.

O que é Processamento Auditivo Central (PAC)? “Processamento auditivo se refere aos processos envolvidos na detecção, na análise e na interpretação de eventos sonoros. Estes processos acontecem no sistema auditivo periférico e no sistema auditivo central. É desenvolvido nos primeiros anos de vida, portanto é a partir da experienciação do mundo sonoro que aprendemos a ouvir.” É o processo de decodificação das ondas sonoras desde a orelha externa até o córtex cerebral, ou seja, a capacidade de analisar, associar e interpretar as informações sonoras que nos chegam pelo sentido da audição. Quais são as habilidades auditivas centrais testadas?Como ainda não conseguimos identificar com detalhes como o sistema auditivo realiza o processamento auditivo, identificamos algumas habilidades que devem ser testadas:


Atenção seletiva: é a capacidade de selecionar estímulos, é avaliado através de estímulos verbais de escrita dicótica.
Detecção do som: é a capacidade de perceber, identificar a presença de um som, é avaliado através de audiometria, discriminação vocal, timpanometria e pesquisa de reflexo.
Sensação sonora: é quando um estímulo é recebido pelo sentido da audição, é quando o indivíduo tem a sensação se o som é alto ou baixo, forte ou fraco, longo ou curto.
Discriminação: é o processo de detectar diferenças entre os estímulos sonoros.
Localização: é saber local da origem do som, é avaliado através da localização sonora em cinco direções.
Reconhecimento: requer aprendizado, é avaliado através de logoaudiometria pediátrica, para o reconhecimento de frases na presença de mensagem.
Compreensão: dar significado ao som escutado.
Memória: arquivar informações e recuperá-las quando houver necessidade, é avaliado através de memória seqüencial para sons verbais (pa, ta, Ca) e não verbais (guizo, coco, sino, agogô).

DPAC X TRANSTORNOS DE APRENDIZAGEM

O que é um distúrbio do processamento Auditivo Central (DPAC)? “É uma falha no desenvolvimento das habilidades perceptivas auditivas”; mesmo com audição normal, é totalmente diferente de perda auditiva. Em geral encontra-se associado a dificuldades de aprendizagem. Crianças portadoras de distúrbio de aprendizagem tem dificuldades em vários aspectos do processamento auditivo lingüístico e apresentam falhas cognitivas .É possível que comprometimentos lingüísticos ou cognitivos possam ser resultantes de problemas perceptuais.

Sintomas do Distúrbio do processamento Central Auditivo (DPAC):


- Apresenta dificuldade em manter atenção aos sons;
- Dificuldade em escutar em ambientes ruidosos;
- Dificuldade na aprendizagem da leitura e escrita;
- Dificuldade em compreender o que lê;
- Necessidade de ser chamado várias vezes ("parece" não escutar);
- Não entende o que foi dito;
- Solicita com freqüência a repetição das informações: Ah? O quê? Pode repetir?
- Dificuldade em entender expressões com duplo sentido ou piadas ou idéias abstratas;
- Dificuldade ao dar um recado ou contar uma história;
- Problemas de memória para nomes, datas, números...
- Dificuldade em acompanhar uma conversa, aula ou palestra com outras pessoas falando ao mesmo tempo;
- Problemas de fala (troca /L/R/S/E/CH/), principalmente os sons /R/ e /L;
- Alterações de pronúncia;
- Dificuldade em localizar a origem dos sons.
- Dificuldades com o significado das palavras;
- Inversões de letras;
- Dificuldade em associar letras do alfabeto com seus respectivos sons;
- Rendimento escolar Inferior em leitura, gramática, ortografia, matemática;
- Dificuldade em aprender uma língua estrangeira.

O que pode causar o DPAC?


- Genética, um grande número de casos é hereditário, pais e filhos apresentam características semelhantes;
- Otites freqüentes durante os 3 (três) primeiros anos de vida (Processos alérgicos respiratórios, tais como sinusites, rinites e até mesmo refluxo gastro-faríngeo estão comumente associados);
- Permanência em UTI - Neonatal por mais de 48 horas;
- Experiências auditivas insuficientes durante a 1ª infância.

Os sintomas comportamentais de crianças encaminhadas para a avaliação do PAC:


- Crianças com alteração de comportamento, de atenção e dificuldades auditivas não orgânicas.
- Crianças com suspeita de distúrbio de aprendizagem, cuja queixa é apresentada pelos pais ou professores.
- Crianças encaminhadas por apresentarem distúrbio de comportamento social.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 CIASCA, S. M. (org.) Distúrbios de aprendizagem: proposta de avaliação interdisciplinar. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003, 220p.

2 MÖOJEN, S. M. P. Caracterizando os Transtornos de Aprendizagem. In: BASSOLS, A. M. S. e col. Saúde mental na escola: uma abordagem multidisciplinar. Porto Alegre: Editora Mediação, 2003.

3 AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. 4ª edição. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.

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Um comentário:

  1. EU FIQUEI SABENDO POR UMA PROFESSORA DA MINHA FILHA FOI DIFICIL ,CHOREI MUITO NAO IMAGINAVA COMO ERA PRA MIM NO MOMENTO QUE FIQUEI SABENDO ATRAVES DOS EXAMES QUE ELA FEZ ,FOI MUITO RUIM PRA MIM ,MAS ELA TEM MUITA DIFICULDADES NA ESCOLA NOS DEVERES AO FALAR ,MAS EM COMPUTADOR E CELULAR TIPO NO QUE ENTEREÇA A ELA, ELA E MARAVILHOSA BEM ESPERTA ,MAS NA ESCOLA ESTAMOS TENDO MUITAS DIFICULDADES NA ESCOLA ,LI A RESPEITO DA CRIANÇA QUE TEM DEPAC TUDO E O QUE ELA APRESENTA ,MAS NAO VOU DESISTIR NUNCA SEMPRE VOU ATRAS DO QUE FOR MELHOR PRA ELA ,DEUS E CONOSCO EU TENHO FE ...

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