“Continuo buscando, re-procurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar e anunciar a novidade”.

Paulo Freire


quarta-feira, 9 de maio de 2012

Sugestão de produção de texto–reconto de uma crônica–“A bola”- Ensino Fundamental

 
Esta técnica é descrita neste blog: sóatividadesparasaladeaula.blogspot.com]
O professor vai falar sobre a crônica como gênero literário, com os objetivos :
-conhecimentos dos diversos gêneros literários, definindo a crônica;
-apresentar o autor Luiz Fernando Veríssimo;
-leitura e interpretação do  texto – enriquecimento do vocabulário…
(a crônica é um gênero literário que vem sempre com muito humor e desperta no aluno o prazer de ler, e usada como reconto, na produção de texto, dentro desta técnica, desperta também o prazer de escrever, veja a atividade realizada pelo professor e pelo aluno).
Estratégia:
1- Levar a crônica, em impresso, uma cópia para cada aluno o conhecimento do “que é uma crônica” e após a exploração do texto, ressaltando que a trama é relatada por um dos personagens, o pai , como este mesmo texto, esta mesma história poderia ser contada por outro personagem, ou algum objeto, que embora não seja uma pessoa, mas que representa um papel importante na história : como o dono ou vendedor da loja onde o pai comprou a bola, que não aparece no texto, mas com certeza faz parte da história; o garoto ( o filho, que ganhou a bola);  a  própria bola; o videogame…
(levantar uma discussão em torno de personagens principais e secundários, fazer uma listas na lousa e depois levantar hipóteses: como cada um desses participantes da história contaria o que aconteceu? citar um parágrafo, escolhendo um personagem , como por exemplo, a tevê: “Aconteceu um fato interessante hoje. O Léo , como sempre faz todo dia, me ligou,
o videogame já estava conectado, e começamos a nossa atividade incansável: os games, cada um mais divertido, quando o pai dele chegou com um embrulho estranho e deu pra ele e o Léo meio que sem entender bem o que era…”  e aí a turma vai imaginar o resto da história que a tevê presenciou.
Personagens - São as peças fundamentais, pois sem elas não haveria o próprio enredo.
Há a predominância de personagens que se destacam pelos atos heroicos, chamadas de principais, outras que se relacionam
pelo seu caráter de oposição, as antagonistas, e as secundárias, que não se destacam tanto quanto as primárias, funcionando apenas como suporte da trama em si.
Narrador - É aquele que narra a história, atuando como um mediador entre a história narrada e o leitor/ouvinte. Classifica-se em três modalidades:
Narrador-personagem - Ele conta e participa dos fatos ao mesmo tempo. Neste caso a narrativa é contada em 1ª pessoa.
Narrador-observador - Apenas limita-se em descrever os fatos sem se envolver com os mesmos. Aí predomina-se o uso da 3ª pessoa.

Com a lista de personagens no quadro, o professor vai pedir que cada um escolha um e escreva de que forma esse personagem escolhido contaria essa história. Veja a produção de uma aluno do 8º ano. É muito interessante, uma atividade significativa e o aluno fica motivado e muito criativo. E as produções ficam sensacionais. Experimente em sua turma, pode ser usada desde o 4º ano das séries iniciais, adequando ao grau de conhecimento, capacidades e vivência dos alunos.
 
A Bola     b
O pai deu uma bola de presente ao filho. Lembrando o prazer que sentira ao ganhar a sua primeira bola do pai. Uma número 5 sem tento oficial de couro.
Agora não era mais de couro, era de plástico. Mas era uma bola.
O garoto agradeceu, desembrulhou a bola e disse "Legal!". Ou o que os garotos dizem hoje em dia quando gostam do presente ou não querem magoar o velho. Depois começou a girar a bola, à procura de alguma coisa.
- Como é que liga? - perguntou.
- Como, como é que liga? Não se liga.
O garoto procurou dentro do papel de embrulho.
- Não tem manual de instrução?
O pai começou a desanimar e a pensar que os tempos são outros. Que os tempos são decididamente outros.
- Não precisa manual de instrução.
- O que é que ela faz?
- Ela não faz nada. Você é que faz coisas com ela.
- O quê?
- Controla, chuta...
- Ah, então é uma bola.
- Claro que é uma bola.
- Uma bola, bola. Uma bola mesmo.
- Você pensou que fosse o quê?
- Nada, não.
O garoto agradeceu, disse "Legal" de novo, e dali a pouco o pai o encontrou na frente da tevê, com a bola nova do lado, manejando os controles de um videogame. Algo chamado Monster Baú, em que times de monstrinhos disputavam a posse de uma bola em forma de blip eletrônico na tela ao mesmo tempo que tentavam se destruir mutuamente.
O garoto era bom no jogo. Tinha coordenação e raciocínio rápido. Estava ganhando da máquina. O pai pegou a bola nova e ensaiou algumas embaixadas. Conseguiu equilibrar a bola no peito do pé, como antigamente, e chamou o garoto.
- Filho, olha.
O garoto disse "Legal" mas não desviou os olhos da tela. O pai segurou a bola com as mãos e a cheirou, tentando recapturar mentalmente o cheiro de couro. A bola cheirava a nada. Talvez um manual de instrução fosse uma boa ideia, pensou. Mas em inglês, para a garotada se interessar.
Luiz Fernando Veríssimo
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Texto do aluno: ( escolheu a bola, como elemento narrador da história)
A bola
Um dia destes, cansada de ficar na loja de esporte no  meio de tantas bolas, cada uma diferente da outra, coloridas, dente-de-leite, couro, basquete, vôlei… cansada  de ouvir o mesmo papo: todas apostando qual seria vendida primeiro, onde estaria e o que estaria fazendo no meio de crianças e adolescentes alegres e felizes,  sem que   nada  disso acontecesse, quando senti duas mãos me puxando lá do fundo  e me puxando pra fora, sem entender nada.
Pensei: “será que fui vendida primeiro, logo eu, uma bola de plástico, dente de leite? Quem ia me querer?” Até que me  enrolaram num papel  e me   jogaram numa sacola de plástico e mudei para outras mãos, as mãos de um homem muito grande, com cara de pai, que foi até o caixa, me pagou, me jogou no bando de trás do carro e   saímos do shopping.
Pensei de novo: “tô sonhando, de novo”, nem sonhar aquento mais, que vida mais monótona, eu nem sei por que existo, pensava a bola.
Quando dei por mim “aquele homem, com cara de pai” conversava com um menino que devia ser filho dele que estava batendo os dedinhos, com os olhos que não desgrudava de uma tela de televisão, e disse que tinha me comprado pra ele. Não era sonho, agora eu sou de um menino de verdade! Só que aí a coisa se complicou, pois o garoto, me rodava nas mãos e nem sabia quem eu era e nem pra que eu servia! Ele queria me ligar! Ligar? Eu, heim? Fiquei decepcionado, ele nem ligou pra mim, voltou pro seu joguinho e o pai muito triste me deixou cair no chão. Nunca mais quero nascer bola. Só se for pra nascer no Brasil, lá, me disseram que todo garoto, pode ser pobre, pode ser rico, pode ser pequeno ou grande gosta, gosta não, adora bola!Quero ser uma bola brasileira!

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Por: Júlia Virginia de Moura – Pedagoga

2 comentários:

  1. Olá Julia!
    Você me fez sentir saudades da sala de aula.
    Recontar um texto em forma de crônica e repetindo por várias vezes da um pouco de trabalho, mas é gratificante quando a criança começa a escrever suas próprias crônicas , no começo pequenas e, com muita leitura a criatividade surge e elas ficarão melhores.
    Eu adoro crônicas, principalmente as engraçadas.
    Beijos
    Lua Singular ou Mundo dos Inocentes

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